Este espaço é destinado a todas as pessoas interessadas em divulgar trocar experiências sobre educação, psicopedagogia e inclusão, para que juntos possamos romper as barreiras da exclusão e desigualdade humana. Sabendo que somos iguais com toda nossa diversidade.

"Não é no silêncio que os homens se fazem, mas na palavra, no trabalho, na ação-reflexão" (Paulo Freire)
















Sobre nós!!

Minha foto
Profissionais dedicadas e apaixonadas pelo que fazemos. Rosa:Graduada em pedagogia pela Universidade Federal do Amapá com especialização em Educação Especial e Inclusão Socio Educacionalpela Faculdade Santa Fé (MA) Rejane: Professora,Pedagoga pela Universidade Federal do Amapá(AP). Psicopedagoga clinica e Institucional-faculdade Santa Fé (MA)Especialização na educação de alunos com deficiência visual IBC (RJ) em Educação Especial e Inclusão social faculdade Santa Fé (MA). Estamos a disposição para consultoria,palestras, cursos e oficinas com foco em Educação Especial.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

O Processo de Inclusão de Pessoas com Paralisia Cerebral


Quando realmente abraçamos a causa “inclusão”, percebemos que é necessário mudar a sociedade, em que o deficiente vive e não o próprio deficiente, para que assim ele possa se desenvolver como cidadão.
Para entendermos melhor o que é Paralisia Cerebral, buscamos tornar claro sua definição, que segundo Hagberg e Col (citado por ALMEIDA, 2009), é “(...) definida por um prejuízo permanente do movimento ou da postura que resulta de uma desordem encefálica não progressiva. Esta desordem pode ser causada por fatores hereditários ou eventos ocorridos durante a gravidez, parto, período neonatal ou durante os dois primeiros anos de vida.”.
Segundo a Associação de Paralisia Cerebral do Brasil (APCB, 2009) as principais causas da paralisia cerebral são divididas em três formas:
-Antes do nascimento: quando ocorre ameaça de aborto, choque direto no abdômen da mãe, exposição ao raio X nos primeiros meses de gravidez, incompatibilidade entre Rh da mãe e do pai, infecções contraídas pela mãe durante a gravidez, mãe portadora de diabetes ou com toxemia de gravidez, pressão alta da gestante.
-Durante o parto: na falta de oxigênio ao nascer (o bebê demora a respirar, lesando parte(s) do cérebro), lesão causada por partos difíceis, principalmente os dos fetos muito grandes de mães pequenas ou muito jovens, trabalho de parto demorado, mau uso do Fórceps, manobras obstétricas violentas, os bebês que nascem prematuramente tem mais chances de apresentar paralisia cerebral.
-Depois do nascimento: na presença de febre prolongada e muito alta, desidratação com perda significativa de líquidos, infecções cerebrais causadas por meningite ou encefalite, ferimento ou traumatismo na cabeça, falta de oxigênio por afogamento, envenenamento por gás, por chumbo (contidos em esmalte cerâmico, nos pesticidas agrícolas ou outros venenos), sarampo, traumatismo crânio-encefálico até os três anos de idade. Sabe-se que a Paralisia Cerebral:
“(...) atinge diversas regiões do cérebro. Dependendo de onde ocorre a lesão e da quantidade de células atingidas, diferentes partes do corpo podem ser afetadas, alterando o tônus muscular, a postura e provocando dificuldades funcionais nos movimentos. Pode gerar movimentos involuntários, alterações do equilíbrio, do caminhar, da fala, da visão, da audição, da expressão facial. Em casos mais graves pode haver comprometimento mental.” ( DEFNET, 2009)
De acordo com Kok (citado por SILVA, 2007) é necessário conhecer que “uma lesão no sistema nervoso central pode afetar a parte motora ou mental da pessoa e quando esta lesão só atinge a parte motora, denomina-se paralisia cerebral” diferenciando a deficiência intelectual da paralisia cerebral, porém ambas as lesões podem ocorrer, assim como mencionado por Leite, “Todas as formas de paralisia cerebral podem ter problemas associados, incluindo retardo mental (em mais de 50% dos pacientes), um desalinhamento dos olhos chamado estrabismo (50%), epilepsia ou ataques epiléticos (30%), e desordens visuais ou auditivas (20%).” sendo que existem quatro tipos básicos de paralisia cerebral, consideradas como: a Paralisia Cerebral Espástica, Paralisia Cerebral Discinética ou Atetóide, Paralisia Cerebral Atáxica e Paralisia Cerebral Mista.
A Paralisia Cerebral Espástica “é o tipo mais comum de paralisia cerebral (aproximadamente 50%) na qual os membros afetados são espásticos, ou seja, significa que os músculos são duros e resistem ao serem esticados. Os braços e as pernas também tem ‘reflexos tendinosos profundos’ reativos (contrações musculares involuntárias em resposta a um estímulo).”( LEITE, 2009)
A Paralisia Cerebral Discinética ou Atetóide é a “forma menos comum (aproximadamente 20%) (...)” que é “caracterizada por movimentos involuntários da face, tronco e membro que freqüentemente interferem com a fala e a alimentação.” (LEITE, 2009).
A Paralisia Cerebral Atáxica “é incomum e normalmente envolve uma lesão do cérebro na parte responsável pela coordenação (chamada de cerebelo).” (LEITE, 2009).
A paralisia Cerebral Mista é “uma combinação de sintomas de pelo menos dois dos subtipos anteriores.” (LEITE, 2009).
Em alguns casos a paralisia cerebral pode ser prevenida através de campanhas educativas conscientizando os futuros pais, antes de engravidar, sobre os diversos exames médicos a serem realizados evitando assim a possibilidade de problemas hereditários e a incompatibilidade sanguínea.
De acordo com as pessoas com necessidades especiais recebidas em escolas regulares, as atitudes de aceitação representam um importante fator para o seu sucesso ou fracasso na escola inclusiva. Assim como o mencionado por Lobo (2008), “(...) a inclusão na escola de uma pessoa com estas necessidades educacionais especiais não é tarefa fácil nem para a escola nem para a própria família, pelo receio que seu filho não seja compreendido (...)”, e, portanto cabe a nós, deixar de lado os preconceitos e formar pessoas que compreendam que as diferenças servem para enriquecer a aprendizagem.
Devemos nos conscientizar que com essa mudança de valores eliminaremos muitas barreiras sendo assim possível a realização do processo ensino-aprendizagem, sabendo que “Ao refletir sobre a inclusão de crianças portadoras de necessidades educativas especiais no ensino regular, é possível reconhecer a importância e a responsabilidade da escola em poder atender a esses indivíduos em sua totalidade.” (HOFFMANN, 2009).
Porém muitos profissionais da educação desconhecem as leis sobre o:
“(...) direito de toda criança à educação, consignado pela Declaração Universal dos Direitos Humanos (UNITED NATIONS, 1948), foi reiterado pela Declaração Mundial sobre Educação para Todos (UNESCO, 1990). Mais recentemente, com a Declaração Mundial de Salamanca (UNESCO, 1994), este direito também foi assegurado para um segmento escolar que, até então, era pouco considerado: trata-se dos alunos portadores de necessidades educacionais especiais (PNEE). No Brasil, um passo importante para assegurar o direito à educação sem exclusão para os PNEE se deu com a promulgação da lei n.º 9394/96 - Nova Lei de Diretrizes e Bases Nacional (LDB) (BRASIL, 1996). Em seu Artigo 4.º, a LDB determina que deve haver "atendimento educacional especializado gratuito aos educandos com necessidades especiais, preferencialmente na rede regular de ensino", e, no seu Artigo 58.º, estabelece, também, que educação especial é "a modalidade de educação escolar, oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos portadores de necessidades especiais". (ABPEE, 2006)
Segundo Gomes (2006), a “Dissonância entre as dimensões afetiva, cognitiva e denotativa das atitudes dos professores foi constatada, a discordância e a dissonância evidenciado podem representar barreiras quanto à inclusão escolar de portadores de paralisia cerebral” aumentando assim a dificuldade do professor em relação à inclusão escolar, que assim como mencionado por Hoffmann (2009), já encontra em seu princípio o “(...) desafio de desenvolver uma pedagogia centrada no educando, uma pedagogia capaz de educar com êxito todos os seus educandos, incluindo aqueles com deficiências e desvantagens severas.”.
È de nosso conhecimento que a inclusão necessita ainda de muitas mudanças para ser o que diz na lei, e que precisamos preparar nossos professores para que além de serem profissionais, sejam também conscientes, pois estão trabalhando com seres humanos que precisam de amor e carinho como todos para conseguirem ultrapassar seus obstáculos com dignidade. Contudo os profissionais ainda não possuem o conhecimento, a formação e o apoio adequado para essa inclusão, pois seriam necessários novos sistemas de aulas e materiais, para obter bons resultados.
Conforme o mencionado em Paralisia Cerebral: Mito e Realidade um bom exemplo de luta, dignidade e perseverança que nos descreve Sueli Harumi Satow (SILVA, 2007):
“(...) comunicadora e filósofa Suely Harumi Satow, 54 anos, com mestrado e doutorado em Psicologia Social, pela PUC de São Paulo. Apesar da titulação, ela destaca que, em geral, os atendentes de lojas e médicos a tratam como se tivesse deficiência intelectual.
Ela atribui seu desenvolvimento ao apoio da família. Seus pais a incentivavam sempre, mesmo nas situações mais difíceis. "Na escola também havia um outro extremo, na classe me consideravam a aluna exemplar por causa das seqüelas, mas na hora do lanche eu ficava com as excluídas (a mais gorda, a mais feia, etc.). Estas circunstâncias levaram-me a um desequilíbrio psíquico muito forte, que quase me colocaram em um hospício", afirma.
Suely gostaria que a sociedade a tratasse como as outras pessoas, vendo-a como ser humano, apesar das diferenças, e não como um ser incapaz com necessidade de tutela. ‘A sociedade deveria rever sua hipocrisia, fingindo que não é preconceituosa, e olhar profundamente para ela mesma, os indivíduos que a compõem, e se conhecer melhor. Talvez, agindo assim, as diferenças diminuiriam gradativamente’(...)”.
Segundo Leite (2009) “A brincadeira ao ar livre é de grande importância para a criança com mobilidade reduzida, pois além de ser uma forma de lazer, ela também contribui para a sua reabilitação.”, ou seja, “(...) a criança tem oportunidade de crescer muito mais saudável e de se integrar na sociedade.” tendo incluído em seu “(...) universo seus limites, desafios e outras crianças.”. Com esse objetivo existe o projeto de Utilização de brinquedos para inclusão de crianças com paralisia cerebral: desenvolvimento de um balanço ergonômico que ajuda para uma melhor qualidade de vida do portador de paralisia cerebral e de sua família, proporcionando um processo efetivo de inclusão social participativa e consciente. Este projeto visa a construção de brinquedos ergonômicos (brinquedos adaptados a todos os possíveis usuários) como forma de inclusão a sociedade, onde devemos lembrar que mesmo existindo diferenças entre as pessoas, todos precisam de oportunidades para um desenvolvimento “pleno” de suas potencialidades.
Para Hoffmann o sucesso de inclusão gera alguns benefícios, onde os estudantes com deficiência:
“(...) desenvolvem a apreciação pela diversidade individual; adquirem experiência direta com a variação natural das capacidades humanas; demonstram crescente responsabilidade e melhorada aprendizagem através do ensino entre os alunos; estão melhor preparados para a vida adulta em uma sociedade diversificada através da educação em salas de aula diversificada através da educação especial; podem participar como aprendizes sob condições instrucionais diversificadas”
Mas, para Fischer (citado por HOFFMAN, 2009), infelizmente é notório que “(...) não só falta preparo profissional, mas também informação quanto à paralisia cerebral.” sendo que “A grande maioria dos professores sequer conhece ou teve contato com um PPC”, sendo considerado por “tratar-se de uma população com padrões e características corporais atípicas e bastante salientadas, requer, necessariamente, uma preparação diferenciada do educador para lidar com estes alunos.”.
De acordo com Kok (citado por SILVA, 2007) um importante fator a ser comentado é que existe uma diferenciação entre paralisia cerebral de deficiência intelectual, onde o primeiro é ocasionado por uma lesão que atinge a parte motora e o segundo a lesão atinge a parte mental, onde é acrescentado por Leite (2009) que todas as formas de paralisia cerebral podem ter problemas associados.
Segundo Lobo, a inclusão é um desafio complexo, não só para os educadores, como para os próprios portadores de necessidades educativas especiais e também para suas famílias, pois para todos incluir é conviver com o estranho, ou seja, com o novo, com o diferente.
Os estudos nos mostram que existe uma grande procura por melhorias a favor das pessoas com necessidades especiais, o que favorece bastante em questão, o crescimento de pesquisas e investimentos, favorecendo a inclusão dos mesmos, e como mencionados por Hoffmann (2009), a carência de profissionais especializados torna-se um dos maiores desafios a ser enfrentado.

Conclusão
Tendo como ponto de vista a inclusão de pessoas com Paralisia Cerebral, nota-se que existem várias pesquisas direcionadas ao tema, porém criar “mecanismos” para realização deste objetivo vai de conhecimentos teóricos, pois cada pesquisador busca métodos de inclusão seguindo seu próprio ponto de vista, mas pouco se sabe sobre a interação dos mesmos com as pessoas com necessidades especiais. Não se pode negar que essas pesquisas são de grande importância para o desenvolvimento sobre o tema, possibilitando novas perspectivas.
Devemos mostrar que o nosso papel de pedagogos é criar e buscar métodos diferenciados, ensinando e aprendendo a cada dia com o diferente, capacitando as pessoas com necessidades educativas especiais, fazendo com que ela viva intensamente todos os momentos, e seja um cidadão por inteiro.
“(...) só será possível se o educador tiver o espírito da busca: busca de conhecimentos com o objetivo de criar, recriar, planejar, replanejar, descobrir, experimentar, provar e ensinar. Não apenas seguir receitas, mas modificá-las e adaptá-las de acordo com a sua realidade. Mudar sua práxis tantas vezes quantas forem necessárias, sempre almejando o melhor para o grupo. Acreditar no que faz e, principalmente, acreditar no potencial dos seus educandos.” (HOFFMANN).
Chegamos a um consenso que as pesquisas e o desenvolvimento de novos métodos para a inclusão de pessoas com dificuldades especiais terão grande influência em nossa sociedade, já que cada vez mais está sendo comentado entre as pessoas, mas que a divulgação e a luta para que haja um progresso é de nossa responsabilidade, pois nossa formação nos facilitará a lidar com esse contexto, ou seja, temos novos conhecimentos e iremos divulgá-los enquanto educadores e cidadãos.

REFERÊNCIAS:
ABPEE, Associação Brasileira de Pesquisadores em Educação Especial. Inclusão escolar do portador de paralisia cerebral: atitudes de professores do ensino fundamental. Rev. Brás. educ. espec. vol.12 no.1 Marília Jan./Apr. 2006. Disponível na internet via WWW URL: Capturado em 01/02/2009 ás 23h: 50 min.
ALMEIDA, Fabiana Breviglieri. O que é paralisia cerebral. Disponível na internet via WWW URL: Capturado em 26/01/2009 ás 15h: 12 min.
BRASIL, A.P.C. B Associação de Paralisia Cerebral do. Paralisia Cerebral. Disponível na internet via WWW URL: Capturado em 29/01/2009 ás 19h: 35 min.
CAMINHAR, Projeto. Uma idéia e uma filosofia na práxis cotidiana. Associação das Famílias, Pessoas e Portadores de Paralisia Cerebral. Franca/SP. Gestão 2001/2002. Data da Fundação: 07 de abril de 1997. Disponível na internet via WWW URL: Capturado na internet 28/01/2009 ás 14h: 20 min.
DEFNET, Corde Si e site ENTREAMIGOS. Paralisia Cerebral. Disponível na internet via WWW URL: Capturado em 30/01/2009 18h: 42 min.
HOFFMANN, Ruth Anklam, TAFNER, Malcon Anderson, FISCHER Julianne. Paralisia Cerebral e Aprendizagem: Um Estudo de Caso Inserido no Ensino Regular. Instituto Catarinense de Pós-Graduação Psicopedagogia. Disponível na internet via WWW URL: Capturado em 30/01/ 2009 ás 15h03min. www.icpg.com.br/hp/revista/download.exec.php?rpa_chave=345f0d5f438f84aade71 - Capturado em 01/02/2009 ás 22h: 12 min.
LEITE, Mário César Prudente. Utilização de brinquedos para inclusão de crianças com paralisia cerebral: desenvolvimento de um Balanço Ergonômico. Departamento de Informática Médica – Hospital Policlin. Disponível na internet via WWW URL: e Capturado em 30/01/ 2009 ás 15h18min.
LOBO, Édila Marta Miranda. Paralisia Cerebral e Inclusão. Comentário sobre um dos conceitos sobre deficiência e inclusão fixados em legislação, 06/06/2008. Disponível via internet via WWW URL: http://www.teleduc.cefetmt.br/teleduc/arquivos/5/portfolio/item/1279/ativ02_edila.pdf Capturado em 28/01/2009 ás 09h: 48 min.
SILVA, Maria Isabel da. Paralisia Cerebral: Mito e Realidade. Matéria publicada no Jornal da AME. Edição nº. 65, outubro / 2007. Disponível via internet via WWW URL: Capturado em 01/02/2009 ás 19h: 28 min.
Inilcéia Aparecida Guidotti Consoni - Pedagoga com especialização em Psicopedagogia e em Educação Especial, trabalhando há quinze anos em escola com múltiplas deficiências.


Rosa Lopes, bjs!!!

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Postar um comentário