Este espaço é destinado a todas as pessoas interessadas em divulgar trocar experiências sobre educação, psicopedagogia e inclusão, para que juntos possamos romper as barreiras da exclusão e desigualdade humana. Sabendo que somos iguais com toda nossa diversidade.

"Não é no silêncio que os homens se fazem, mas na palavra, no trabalho, na ação-reflexão" (Paulo Freire)
















Sobre nós!!

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Profissionais dedicadas e apaixonadas pelo que fazemos. Rosa:Graduada em pedagogia pela Universidade Federal do Amapá com especialização em Educação Especial e Inclusão Socio Educacionalpela Faculdade Santa Fé (MA) Rejane: Professora,Pedagoga pela Universidade Federal do Amapá(AP). Psicopedagoga clinica e Institucional-faculdade Santa Fé (MA)Especialização na educação de alunos com deficiência visual IBC (RJ) em Educação Especial e Inclusão social faculdade Santa Fé (MA). Estamos a disposição para consultoria,palestras, cursos e oficinas com foco em Educação Especial.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

A Inclusão na Prática e a Prática da Inclusão


A cada etapa de nossas vidas precisamos refletir sobre nossas ações e atitude. E encontrei este texto muito oportuno para que nesse início de semestre possamos refletir sobre nossos aprendizados. “De nada adianta o discurso competente se sua prática é impermeável a mudanças” (Edna Castro). Espero que gostem bjkas: Rejane santos


A Inclusão na Prática e a Prática da Inclusão

Muitos poderão perguntar, de que inclusão estamos falando? Respondo, estamos falando da riqueza da diversidade, sendo parte da natureza humana.

Uma sociedade democrática é uma sociedade para todos; uma escola democrática é uma escola para todos. Inclusão é, antes de tudo, uma questão de ética, de mudança de valores internos para serem resignificados na prática.

A construção da escola inclusiva é um projeto coletivo, que passa por uma série de reformulações como um todo, e de todos os seus envolvidos. Nos remete a mudança, tão temida, porém desejada.

É preciso pensarmos que não existe uma formação para a inclusão, pois não há como preparar alguém para a diversidade, mas, de formação na inclusão. Uma formação na inclusão perpassa pela mudança do olhar que temos sobre o ser humano, abrindo-nos as possibilidades de compreendermos suas singularidades, necessidades, contexto, história, de que tipo de apoio é necessário, etc. E uma ação leva a outra, e ai nos perguntamos: Como fazer, com quem fazer, aonde?

A primeira resposta deve ficar cada vez mais clara, não é possível mais o professor trabalhar sozinho, ou ele aprende a trabalhar em grupo, em equipe, em redes ou não haverá trabalho na escola.

A rede de apoio, essencial para o êxito da escola inclusiva, não se confunde com os encaminhamentos clínicos qualquer que seja a especialidade, embora os inclua; é uma rede dinâmica, construída a partir das necessidades do cotidiano escolar, e que envolve várias instâncias sociais inclusivas. Falamos de saúde, educação e espaços culturais, desportivos caminhando juntos.

Nesse sentido, pensamos que, de antemão, as reformas educacionais e todas as interrogações sobre o papel da escola, como um dos espaços sociais, bem como todos os envolvidos, exige que repensemos a prática pedagógica pautada na Ética, na Justiça e nos Direitos Humanos.

Baseado-se neste tripé caminhamos, em busca de uma nova fase de humanização e de socialização, que supere os pressupostos hegemônicos do liberalismo, promovendo a interatividade, a superação de barreiras arquitetônicas, atitudinais, psicológicas, espaciais, temporais, culturais e que possam permitir acessibilidade a todos.

Outros poderiam perguntar, e de que prática estamos falando? Estamos falamos da prática da reflexão, do pensar sobre o que está ocorrendo em nosso cotidiano, em nossa sala de aula, em nosso exercício profissional, considerando as condições em que nosso trabalho se desenvolve, em que tomada de decisões vamos empreender.

Um profissional que tematiza a prática está aberto para a discussão, não procura resultados, mas busca soluções, pesquise, compartilha suas dúvidas, questionamentos e oferece auxílio para a construção de propostas conjuntas que façam a diferença em seu dia-a-dia.

Só assim teremos uma base para uma visão mais global do que seja uma educação democrática, entendendo “democracia”, como o regime da soberania popular com pleno respeito aos direitos humanos.

Concluindo, que cada cidadão não se limite apenas a vivenciar os seus próprios problemas, mas que seja capaz de acrescentar à sua cidadania uma dimensão social e política, pela qual a sociedade venha gradativamente a se organizar no sentido de exercer o legítimo controle público sobre o mercado, sobre os meios de comunicação, e sobre os poderes constituídos.

Marina da Silveira Rodrigues Almeida

Consultora em Educação Inclusiva

Psicóloga e Pedagoga especialista

Instituto Inclusão Brasil

inclusao.brasil@iron.com.br


Aposentadoria especial para pessoas com deficiência





Recebi da nossa amiga Elza Lopes
Centro de Apóio à Pessoa Cega - Técnica em Orientação e Mobilidade/AP, essa notícia muito importante. Quem sem dúvida é uma grande vitória.

Leiam e divulguem! Bjkas Rejane Santos



Comissão de Direitos Humanos Do Senado Aprova Aposentadoria Especial Para pessoas Com Deficiência.



A Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do
Senado aprova projeto de lei que trata da aposentadoria
especial para pessoas com deficiência. Pelo texto, o prazo de
contribuição para que deficientes possam se aposentar pode ser
reduzido em até dez anos, dependendo do grau de deficiência. O prazo
de contribuição por idade também será reduzido. A proposta agora será
encaminhada para a Comissão de Assuntos Sociais.
Pelo texto, quem tem deficiência considerada leve terá uma redução de
cinco anos neste prazo, quem apresenta deficiência moderada
contribuirá oito anos a menos e quem tem deficiência grave terá prazo
dez anos menor para a aposentadoria com base no tempo de contribuição.
No caso da aposentadoria por idade, cai de 65 para 60 entre os homens e
de 60 para 55 entre as mulheres a idade para a aposentadoria desde que
seja cumprido um tempo mínimo de 15 anos de contribuição. Será
necessário também comprovar que a deficiência existe há 15 anos para
se conseguir a aposentadoria especial por idade. A definição da
gravidade da deficiência seria atestada em perícia pelo Instituto
Nacional do Seguro Social e o agravamento da condição justificaria a
antecipação dessa perícia.

"Estamos cada vez mais próximos de corrigir uma distorção histórica
para com as pessoas com deficiência. A questão da aposentadoria é
parte de uma discussão ampla no que diz respeito ao pleno exercício da
cidadania da pessoa com deficiência e que precisa ser colocada para a
sociedade brasileira",afirmou o presidente do ICEP Brasil Sueide
Miranda, presente no momento da votação.
O ICEP está à frente de uma comissão formada por entidades de pessoas
com deficiência que, com o apoio do deputado Rodrigo Rollemberg
(PSB-DF) vem desde o ano passado pressionando o Congresso para aprovar
a matéria. A comissão foi recebida pelo presidente da Câmara, Michel
Temer, que prometeu acelerar a entrada da proposta em pauta. No mês
passado, o senador Cristovam Buarque também reuniu-se com a comissão e
prometeu apoio imediato. O apoio foi recebido com entusiasmo pelos
representantes entre ele o presidente do Instituto Nova Visão, Antônio
Leitão, um dos mais atuantes na defesa dos direitos dos deficientes.
"A mobilização é fundamental para acelerar o andamento do processo",
atestou Rollemberg, que intermediou as reuniões na Câmara e Senado.
"Estamos prontos para mais uma mobilização na Comissão de Assuntos
Sociais. Para isso, já solicitamos audiência com a Senadora Rosalba
Ciarlini do DEM/RN Presidente da CAS- Comissão de Assuntos Sociais do
Senado Federal para agilizar a votação naquela comissão. Temos muita
pressa em relação a essa proposta e qualquer outra de interesse das
pessoas com deficiência", acredito que esse projeto será sancionado
ainda no decorrer da Copa do mundo. Será mais um motivo para comemorar
disse Sueide.

Fonte de informação da assessoria de comunicação do ICEP BRASIL
Site: www.icepbrasil.com.br
Email: icepbrasil@icepbrasil.com.br

quarta-feira, 28 de julho de 2010

O DISCURSO DO BOM DIA A TODOS E A TODAS!!




Habituou-se falar em inícios de discursos o" bom dia a todos e a todas" .Eu pessoalmente tinhas minha opinião sobre o tema , e já presenciei varias discussões a respeito e resolvi pesquisar e achei este artigo muito interessante do ilustríssimo Roberto Leiser Baronas. Que corrobora com que eu pensava, espero que gostem.

Bjks Rejane Santos

SEXO NA LÍNGUA

Roberto Leiser Baronas
Já há algum tempo ouço no início da fala pública de algumas pessoas, em forma de cumprimento, o(s) seguinte(s) enunciado(s): bom dia, boa tarde ou boa noite a todos e a todas. Convém dizer que esse uso lingüístico, marcando sexualidade no vocábulo “todos”, se transformou numa verdadeira moda não só em nosso país, mas também na maioria dos países lusófonos. Diante do uso reiterado desse tipo de enunciado(s) e a estranheza que ele me causa e, a alguns colegas lingüistas, fui mobilizado a escrever este texto tecendo algumas breves considerações. Chamo de estranheza, pois a maioria das pessoas que ouvi dizer esse enunciado possui um alto grau de escolarização, portanto, pelo menos em tese, pessoas acostumadas submeter a realidade à crítica.
Quando esses falantes enunciam tais cumprimentos, o fazem confundindo sistema abstrato de regularidades (fonológicas, morfológicas, sintáticas), com o funcionamento discursivo desse sistema. Caso não existisse essa diferenciação, poderíamos pensar na seguinte analogia: se a sociedade é constituída por diferentes grupos sociais e a língua é o reflexo desses grupos, teríamos então tantas línguas quanto são os grupos sociais. Ou grosso modo exemplificando, nós trabalhadores teríamos uma língua distinta da dos burgueses. E isso é um óbvio absurdo.
Uma outra confusão que esse tipo de falante faz, embora acredite ser politicamente correto, é confundir gênero gramatical com gênero sexual. Na Lingüística Brasileira, essa distinção foi feita ainda nos anos sessenta do século passado por Mattoso Câmara, um dos nossos primeiros lingüistas. Ao descrever a língua portuguesa, no capítulo sobre morfologia, o professor Mattoso Câmara nos chama a atenção para o fato de que diferentemente do que advogam muitas das gramáticas normativas do português, todos os nomes da língua portuguesa (substantivos, adjetivos) possuem gênero gramatical, mas só alguns possuem gênero sexual. Assim, é equivocada a interpretação que, a partir de uma relação direta entre língua e sociedade ou cultura, vê indícios de discriminação contra a mulher no enunciado bom dia a todos. É como se o sentido do vocábulo “todos” estivesse preso ao único referente: ser humano do sexo masculino. Nesse caso e, ampliando um pouco mais a questão, como ficaria o cumprimento aos homossexuais?
Diante do que foi enunciado até aqui, acredito que esteja ficando mais "entendível" a tese implícita de que entre língua, sociedade ou cultura as relações não sejam tão diretas, como imaginam as pessoas que produzem tais enunciados. Com isso, não estou querendo dizer que a língua não seja o lugar privilegiado de materialização de ideologias. Pelo contrário, o que estou tentando enfatizar é que o sistema, enquanto conjunto de regularidades lingüísticas possui uma relativa autonomia em relação às ideologias.
Acredito que o enunciado seja relativamente suficiente para nos mostrar que as relações entre língua e sociedade ou cultura se dão no uso efetivo da língua, estes entendidos não como uma mensagem ou informação, mas como a linguagem em processo de discursivização. O que implica dizer que o machismo, ou o preconceito étnico, ou sexual, ou qualquer outro tipo de deformação da realidade se inscreve na ordem do discurso e não na ordem da língua (fonologia, morfologia, sintaxe).
Assevero que esse tipo de cumprimento faça parte de um discurso maior que vem tomando conta da nossa sociedade. Atualmente todos os nossos sentimentos e práticas são calculados, espetacularizados e positivados por uma espécie de humanismo político de "boas intenções". Trata-se de um movimento ocidental que se constitui numa espécie de cruzada iluminista que esclarece sobre o uso não-sexista da língua, pedofilia, machismo, drogas, homossexualismo, violência doméstica, idosos, ecologia, armas, preconceito racial que produz e comercializa um imaginário de cidadania. Nesse momento, nada, nem ninguém escapa desse fundamentalismo mercadológico de ocidentais práticas do politicamente correto.
Pensemos um pouco a respeito, caso contrário, corremos o risco de sair por aí dizendo bobagens tais como a de que a língua portuguesa é machista, pois a maioria dos palavrões pertence ao gênero feminino; que existe um "zoomorfismo" lingüístico no futebol brasileiro, pois temos porco para palmeirense; urubu para flamenguista; gavião para corintiano; peixe para santista; galo para atleticano e assim por diante. O anteriormente exposto evidencia que as Ciências da Linguagem têm muito a nos dizer sobre o funcionamento das línguas. Até um próximo encontro.

Roberto Leiser Baronas é Doutor em Lingüística e Professor no Departamento de Letras e no Programa de Pós-Graduação em Lingüística da UFSCar

www.clickciencia.ufscar.br/portal/.../colunista_roberto